PORT 204                                                                                                                     Emily Hamm

Comentário

 

“Show Viva Brasil em Paris”

 

            Gilberto Gil opina durante o concerto que a marca de nosso tempo é a mistura.  Acho que estas palavras captam o espírito do show.  É uma verdadeira mistura de culturas, línguas e canções. 

            Lenine canta primeiro.  Eu não conhecia este músico antes de ver o vídeo.  Embora não gostasse de sua voz, a letra das canções é boa.  Pergunta numa canção quantos Brasis fazem um país.  Os brasileiros têm origens bem diversas, e a gente vem do futuro para conhecer o passado.  O tema de fraternidade e a idéia que as gerações não são limitadas pelo tempo aparecem freqüentemente no concerto.  Na minha opinião são visões muito lindas.

            Depois de Lenine, canta Seu Jorge.  Ele é um de meus cantores favoritos brasileiros.  Suas canções, como a das favelas, tratam da miséria e outras crises sociais, e nesta maneira utiliza sua fama para atrair a atenção do público a estes problemas.  Seu Jorge também gravou um CD faz três ou quatro anos no qual interpreta em português as canções de David Bowie, outro cantor de quem gosto muito.  Escuto esta gravação muito para desfrutá-la e praticar minha compreensão da língua falada.  Neste concerto ele não canta com muita energia, infelizmente, mas o poder de suas canções compensam.

            As canções de Jorge Ben Jor são divertidos, mas não tenho vontade de comprar seu CD.  Contudo, apresenta um aspecto da vida brasileira distinto do que apresenta Seu Jorge.  Descreve a emoção dos fãs de futebol no estádio e as festas.  Também incorpora o tema da diversidade do Brasil numa canção que relata uma história de amor da Índia.

            Gilberto Gil, de todos os participantes músicos no concerto, expressa melhor o espírito e o objetivo do show.  É uma figura excelente para servir como o Ministro de Cultura.  Se manifesta sua habilidade diplomática durante o concerto.  Interpreta algumas canções em francês, inclusive uma que trata da tolerância.  Faz uma referência aos conflitos europeus dos séculos passados, mas lembra a todos que o passado é passado.  Reconhece as diferenças entre o Brasil e a França (e a Europa), mas as resolve pela música.  Gil também introduze Lula, cuja assistência comunica a importância política de tal intercâmbio cultural.  Gilberto Gil, quando está no palco, mostra claramente seu desejo de conseguir um sentido de fraternidade e respeito mútuo entre os dois países e culturas.

            A interpretação de Gal Costa é uma decepção.  Não mostra a energia de alguns cantores do grupo, e sua voz parece desafinada.  Às vezes, não consegue cantar corretamente as notas altas.  Acho que seu dueto com Gilberto Gil é ruim.

            Daniela Mercury é minha cantora favorita do concerto.  Ela faz tudo em sua interpretação: dança, canta, grita e salta muito.  Ela está cheia de energia, e comunica esta energia à audiência.  Todos participam com ela.  Quando vi esta parte do vídeo, dancei um pouco também.  Adoro a canção das baianas.  É muito divertida, e gosto do jeito em que joga com os aspectos positivos e negativos da Bahia.  Se manifesta o caráter da Bahia na interpretação de Daniela Mercury.  É evidente porque a gente da TV Cultura a escolheu para narrar o documentário da Bahia.

            A gente de Ilê Aiyê oferece outra cultura para incluir nesta mistura, a cultura africana.  Parece que nesta parte do concerto os músicos estão tentando resolver a questão de Lenine: quantos Brasis fazem um país? 

            A conclusão do concerto é o clímax.  A cena na qual os brasileiros cantam a Marseillaise com os franceses é bem poderosa.  Os brasileiros convertem o hino nacional francês numa canção brasileira.  É dizer, eles o aceitam em sua cultura.  Os cantores contribuem um som distinto, e a gente de Ilê Aiyê lhe dá um ritmo novo com seus tambores.  O concerto mostra que a cultura de qualquer país sempre está desenvolvendo.