PORT 204                                                                                                                     Emily Hamm

ComentárioFilme

 

                                                                                      Dois filhos de Francisco                                                           

 

            Dois filhos de Francisco, um filme bem comovente, trata dos sonhos dum pai pobre para seus filhos.  Também é uma história duma família brasileira e seu amor pela música sertaneja.  Depois de ver este filme, decidi que o “sonho americano” é em realidade o sonho panamericano.

            No começo do filme, Francisco está montando a antena de seu rádio numa casa campestre em Goiás.  Aquele dia fica um dos mais importantes de sua vida porque também é o dia no qual descobre que sua mulher está grávida com seu primeiro filho.  A coincidência destes acontecimentos prevê a presença forte da música na vida dos filhos de Francisco.

            O rádio se torna a possessão mais querida da família.  Parece seu contato primário com o resto da região, e sempre está ligado.  Simboliza, para Francisco pelo menos, a voz distante de esperança e sucesso.  A gente que canta no rádio transcende a realidade de Francisco de trabalho duro numa terra que não pertence a ele.  A música oferece a oportunidade de fazer algo importante com a vida, de falar à gente em cada canto do país, de exercer a posse sobre seu trabalho próprio e os frutos dele.  Portanto, é imperativo, na opinião de Francisco, que seus filhos aprendam tocar e cantar para que eles não tenham o destino de seu pai.

            Contudo, quase todos opinam que Francisco é doido, e ninguém apóia seus sonhos.  O pai de sua esposa, o dono da terra onde Francisco e sua família moram, parece bem cínico e antipático.  Não os ajuda embora não tenham dinheiro, e quando Francisco não pode pagar o aluguel, seu sogro os despeja.  Como conseqüência, Francisco, sua mulher e seus seis ou sete filhos se mudam a Goiânia.

            Apesar de suas obrigações financeiras, Francisco dá para seus filhos Mirosmar e Emival cada oportunidade possível para aprender melhor a música.  Comprá-lhes um acordeão e um violão com suas poucas possessões, inclusive a pistola de seu pai.  Na feira pede a um músico que ele ensine Mirosmar tocar o acordeão.  Francisco tem muitas preocupações, mas nunca as permite o desanimar.  Devota todos os recursos para promover o talento de seus filhos.

            Em Goiânia parece que se realizam os sonhos de Francisco.  Mirosmar e Emival cantam na rodoviária da cidade para ganhar dinheiro e suplementar o orçamento da família.  Um dia um empresário, Miranda, os descobre e oferece ser seu agente.  Francisco fica tão entusiasmado que permite que Miranda viaje com os meninos pela região sem dúvida nenhuma.  De qualquer maneira, Miranda desaparece com os dois por quatro meses embora prometesse voltar depois duma semana.  Quando ele volta finalmente, Francisco e sua mulher recusam sua ajuda, mas fica evidente que os meninos não podem conseguir a fama sem Miranda.  Motivado por seu desejo irresistível, persuade sua mulher que se os filhos não vão com Miranda, se tornarão faxineiros.

            A morte de Emival na batida de carros representa um grande golpe para o sonho de Francisco.  Insiste que não podia prever a tragédia, mas sua esposa diz que eles estavam errados.  Também afeta profundamente Mirosmar, que abandona a música por alguns anos.  Contudo, o sonho nunca morre, e revitaliza quando Mirosmar começa a tocar de novo.  O resto da família continua a duvidar de Francisco.  Quando ele fala de “nosso sonho” com sua mulher, ela responde que isto era o sonho dele só, que ela sempre estava acordada quando estavam criando os filhos.  Mirosmar também perde sua fé no sonho de seu pai, especialmente quando enfrenta com suas obrigações como esposo e pai. 

            Apesar de tudo, Francisco e Mirosmar e depois Welson, persistem, e os dois irmãos conseguem uma gravação.  Infelizmente, os executivos da companhia de gravação não querem lançá-la porque pensam que sem um sucesso, o elepê não se venderia.  Nunca desanimado, Francisco gasta todo seu salário para comprar fichas de telefone para pedir a canção de seus filhos, “É o amor,” no rádio para que tenha sucesso.  Esta ação dum pai “maluco” resulta na fama nacional de Zezé de Camargo e Luciano.

            Este filme mostra bem o poder dos sonhos.  Embora tenha muitas situações e dificuldades que estorvam o conseguimento dum desejo, sempre existe a esperança que se podem superar estas barreiras.