Leah Bowen

Português 204

22/1/07

Tatuagens

            O artigo da Sofia sobre as tatuagens começou uma longa discussão entre os alunos da nossa classe.  Todo mundo tinha uma opinião diferente.  Eu acho conversa sobre tatuagem interessante porque quem está participando na conversa acaba descobrindo muito sobre os outros.  O fato de alguém ter uma tatuagem não é uma coisa pública e às vezes, não é visível.  Por isso, só os amigos e parentes mais íntimos da pessoa sabem o seu segredo.  Por outro lado, tem gente que quer se mostrar com tatuagens cobrindo o corpo inteiro.  Nessa situação, não tem como não olhar.  Eu não tenho nada contra tatuagem nos outros, mas eu acho que quando uma pessoa se pinta toda,  ela tem que ser um pouco maluca. 

            Do outro extremo, tem os meus avós.  Minha avó acha que tatuagem é uma coisa bárbara e o meu avô sempre dizia que tatuagem era mania de índio.  (Segundo ele, furo na orelha era só para os índios também.)  Minha avó já é um pouco mais moderninha.  Ela furou a orelha, mas quando eu fiz o segundo furo na minha, ela ficou um pouco chocada mas acabou aceitando.  Já agora, piercing no umbigo, como a minha prima Letícia estava querendo fazer, a minha avó não deixa entrar na casa dela.  Isso complica as coisas um pouco com a Letícia mudando para Campinas para morar com a nossa avó enquanto ela faz direito na PUC.  O piercing fica para mais tarde.

            Eu acho que eu até faria uma tatuagem pequenininha em alguma parte do corpo que não seja visível.  A minha única condição é que a tatuagem, ou a figura ou a data em que ela for feita, tem que ter algum significado.  A idéia para mim, de ter uma tatuagenzinha, não é grande coisa, mas a dor é outro problema completamente.  Eu tenho quase certeza de que eu não agüentaria a dor da agulha.  Eu já não consigo fazer exame de sangue sem entrar em pânico quando a enfermeira amarra o elástico no meu braço.  Injeção também não é comigo.  Pensando bem, sabendo tudo isso sobre a minha experiência com agulhas, eu sei que eu não conseguiria agüentar a dor da tatuagem, não importa o tamanho.

            Nos outros, eu acho até bonito uma estrelinha ou um simbolozinho escondido ou no pulso, mas realmente não vale a pena a dor ou o risco de infecção.  Dependendo do lugar, eles são capazes de fazer barbeiragem permanente na pele da gente.  Outra coisa que me impede fazer tatuagem ou piercing é a minha mãe.  De jeito nenhum ela ou o meu pai me deixam fazer uma coisa dessas.  Se um deles tivesse tatuagem, pode ser que eu poderia fazer, mas eles não têm.  Não seria difícil eu fazer uma tatuagem e não lhes contar, mas como eu sou uma filha boa e honesta, é difícil eu deixar de contar esse tipo de coisa aos meus pais.  Enfim, eu aprecio a idéia da tatuagem em dose leve, mas eu tenho horror das tatuagens enormes e das agulhas e eu nunca faria em mim mesma.