PORT 204                                                                                                                     Emily Hamm

Comentário – Artigo

 

A Daspu

 

            Minhas opiniões da Daspu conflitam, e resulta difícil decidir se apóio a idéia duma marca de moda inspirada pelas prostitutas.  Parece que a Daspu, como um negócio, pode beneficiar as prostitutas porque põe o problema da prostituição na consciência pública.  Quando uma pessoa vê cada dia na rua outra vestida no estilo ousado das prostitutas, fica impossível ignorar que a prostituição existe e que tem uma presença forte na sociedade.  A prostituição e a violência contra as mulheres, que freqüentemente é associada com ela, são problemas sociais dos quais a gente típicamente não fala.  Por muitos anos, o sexo era um tema tabu, e como conseqüência se instauraram poucas medidas para aliviar a miséria e a falta de educação que dirigem muitas mulheres à vida de prostituição ou escravidão sexual para sobreviver. 

Por estimular uma discussão sobre a roupa das prostitutas e por usá-las como modelos nas exposições de moda, talvez a Daspu também abra a mente e a boca do público sobre a situação destas mulheres.  Embora seja impossível eliminar a prostituição, a gente pode estabelecer várias medidas, como exames obrigatórios para as doenças sexualmente transmissíveis, para proteger as prostitutas, seus clientes e as famílias dos dois.  A ONG DaVida, que atende as prostitutas e que gere a Daspu, recebe dinheiro para financiar tais projetos, mas segundo Gabriela Leite, a CEO da Daspu, este montante não é suficiente.  A Daspu pode doar uma parte de seu lucro para suplementar os fundos da DaVida.

A popularidade da roupa da Daspu tem duas implicações sociais possíveis para as mulheres.  Por um lado, este estilo de roupa ousada pode contribuir à desumanização das mulheres; se as mulheres decidissem vestir-se como objetos de desejo sexual, a sociedade as trataria como tais objetos.  Para algumas pessoas, a prostituição representa uma forma de subjugação feminina ao homem que usa a mulher como um ser completamente físico.  É possível que, em celebrar a prostituta por usar a roupa dela, a gente não veja sua situação de apuro. 

Por outro lado, a mulher pode decidir-se por usar esta roupa.  Ela tem o poder de escolha.  Por muitos séculos, o corpo humano era tratado como algo vergonhoso, que devia ser escondido.  Contudo, hoje em dia, muitas pessoas lutam para a aceitação do corpo e o tratamento dele como uma coisa linda e admirável.  Desta perspectiva o estilo da roupa da Daspu pode ajudar diminuir a aversão ao corpo e aumentar a autoconfiança para as mulheres que a usam.  Sem dúvida, a gente que acha que tal roupa é indecente continuará a manter estas opiniões, mas talvez a sociedade fique mais aberta aos dois estilos de vestir-se.

Eu suponho que a Daspu encontra muita controvérsia.  Acho que a liberação da mulher já não é completa, e o conflito de minhas próprias idéias mostra a confusão sobre como perceber o corpo feminino e a sexualidade que ainda existe para muitas mulheres.