PORT 204 Emily Hamm
Comentário – Artigo
O abastecimento da água
Muitas pessoas nos Estados Unidos não pensam muito na água. Parece que sempre está presente, e nós a damos por certo. Contudo, o abastecimento da água é um problema por todo o mundo. Em países sub-desenvolvidos, em particular, uma grande parte da população não tem acesso à água potável. Esta gente bebe água poluída ou contaminada com microorganismos ou com várias toxinas. A água em algumas regiões é tão suja que aparece opaca quando se coloca num copo.
Em quase cada país, apesar de seu nível de desenvolvimento, existe uma diferença destacável entre ricos e pobres no acesso à água potável. O Relatório de Desenvolvimento Humano 2006 da ONU explica, “As desigualdades no acesso à água e ao saneamento encontram-se intimamente relacionadas com as ainda maiores disparidades de oportunidades, a começar pela oportunidade de sobrevivência.” O Brasil, por exemplo, conseguiu um ranking alto dos países que têm as maiores reservas de água no mundo, mas no “polígono da seca” no nordeste, a gente lá enfrenta uma falta crônica da água. O Relatório de Desenvolvimento Humano também revela que os 20% mais ricos desfrutam duma cobertura comparável com a das nações ricas; os 20% mais pobres têm um nível de acesso à água inferior ao do Vietnã. Evidentemente, o governo precisa explorar várias alternativas para ampliar sua cobertura porque a disponibilidade não resulta na única condição para garantir o acesso à água.
Felizmente, muita gente reconhece as injustiças na distribuição de água, e tem bastantes iniciativas e projetos para resolver o problema. A organização Engenheiros sem Fronteiras coordena projetos em países como o México em que voluntários constroem aparelhos sustentáveis para purificar a água. A gente nas aldeias que recebe estes aparelhos aprende mantê-los com coisas comuns. Por exemplo, se usa areia como filtro.
O governo do Brasil aprovou a Lei de Recursos Hídricos em 1997 para proteger a qualidade da água e garantir o fornecimento dela para toda a população. Contudo, ainda existe muita resistência à cobrança pelas companhias de tratamento, indústrias e setor agrícola, uma das provisões da lei. Conseqüentemente, os resultados da lei resultaram mistos. Nos anos 90, muita gente advogava pela privatização do abastecimento da água como uma solução dos fracassos do setor público. De qualquer maneira, os problemas continuam com o setor privado embora a privatização tivesse sucesso em algumas regiões.
No nível internacional, os países membros da ONU adotaram os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, uma série de metas que estes países aceitaram atingir até 2015. Precisam conseguir indicadores específicos: 91,5% da população tem acesso à água potável, e o governo atende a 85,5% dos domicílios com o serviço de saneamento. É difícil prever a eficácia das metas do milênio. A maioria dos países membros (e possivelmente todos os países membros) ainda não alcançou os indicadores ideais. Segundo o Relatório de Desenvolvimento Humano, 90% da população brasileira tem acesso à água potável, mas só 71,5% dos domícilios tem o serviço de saneamento. Contudo, o acordo resultará importante porque dá atenção internacional ao problema da água pelo mundo inteiro.
Enquanto muitas questões ambientais dominam as manchetes nos jornais, o problema de água não recebe a mesma atenção que os combustíveis alternativos ou a camada de ozônio. Sem dúvida, é crítico para a saúde de muitas pessoas, animais e plantas. Não se devem esquecer os elementos mais básicos de nosso meio-ambiente na luta para protegê-lo.